Mais de 70% dos jovens
portugueses com sinais de dependência da Internet, sendo 13% casos graves.
Com o
grande avanço tecnológico das últimas décadas, principalmente no que tange à
eletrônica e à informática, a Internet e os jogos eletrônicos tornaram-se cada
vez mais populares. O videojogo, sem dúvida alguma, passou a ser uma das mais
importantes atividades de lazer para crianças e adolescentes. A
internet é uma ferramenta tecnológica que é utilizada como meio de comunicação
entre as pessoas. Todavia, este uso intenso da Internet começou a apresentar
resultados que indicam a ocorrência de modificações nos hábitos que envolvem os
relacionamentos interpessoais.
Dependência da internet e de videojogos em crianças e
jovens
O jogo, por si só, reflete um comportamento saudável e desejável do ponto
de vista do desenvolvimento das crianças. Neste sentido, e quando utilizados de
forma moderada e com conteúdos adequados à idade dos utilizadores, os
benefícios dos videojogos podem traduzir-se em ganhos cognitivos (ex. melhoria
de capacidades cognitivas), sociais (ex. reforço das relações entre pares) e
psicológicos (ex. maior bem-estar psicológico) para os jogadores.
Na sociedade em que
vivemos, os videojogos podem ser jogados em computadores, consolas, telemóveis
ou outros dispositivos portáteis. Onde quer que haja crianças, inevitavelmente encontraremos em grande parte delas um fascínio pelos dispositivos
eletrónicos.
O uso da
internet e dos videojogos torna-se patológico quando, em vez de se envolver no
mundo real, uma criança ou jovem dedica a maior parte do seu tempo aos jogos
online, isolando-se e ignorando responsabilidades mais importantes.
Em que
consiste a dependência da internet e de videojogos?
O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5)
define a Perturbação de Jogos de Internet como uma persistente utilização da
internet com vista à prática de videojogos, geralmente com outros jogadores,
que conduz ao desenvolvimento de uma dependência, cada vez mais presente entre
crianças e jovens.
A adição aos videojogos online parece apresentar características
semelhantes a outras adições, nomeadamente substâncias como o tabaco, o álcool
e substâncias psicoativas. Porém, e contrariamente ao que acontece com o uso de
substâncias, a utilização excessiva de videojogos não foi reconhecida como uma
desordem, mas sim como um comportamento que surge no contexto da adição à
internet.
Quais os sinais de dependência da
internet e de videojogos em crianças e jovens?
Estes são alguns dos potenciais sinais de alarme em crianças e jovens com uso patológico da
Internet e dos videojogos:
• Perdem a noção do tempo enquanto estão online;
• Tornam-se agitados ou agressivos quando os videojogos online são
interrompidos;
• Apresentam alguns sintomas de abstinência quando os videojogos são retirados
das suas atividades diárias (ex. irritabilidade);
• Perdem interesse em participar noutro tipo de atividades, que não estejam
relacionadas com os videojogos online, nomeadamente com a família ou amigos;
• Evitam com frequência compromissos, para continuar a jogar;
• Desobedecem aos limites que foram estabelecidos para a utilização da
internet;
• Mentem ou omitem a membros da família o tempo despendido online;
• Criam relacionamentos com pessoas que apenas conhecem online;
• Recorrem aos videojogos online como forma de anular e/ou aliviar estados de
humor negativos;
• Não se deitam à hora que seria expectável e de manhã parecem exaustos;
• Falham as aulas na tentativa de abdicar de jogar;
• Diminuição do desempenho escolar e nos seus relacionamentos sociais.
Qual a
população em maior risco de sofrer de dependência da internet e de videojogos?
Crianças
que revelem competências sociais deficitárias e dificuldades nas estratégias de
coping constituem uma população em risco de desenvolver hábitos excessivos de
utilização da internet e de videojogos. Porque se sentem sozinhas, alienadas e
com dificuldade em fazer amigos, estas crianças voltam-se para pessoas
desconhecidas, procurando a atenção e companheirismo que faltam nas suas vidas
“reais”.
Quais as principais consequências
de dependência da internet e de videojogos?
O uso
abusivo da internet e dos videojogos surge associada a múltiplas consequências
negativas, das quais destacamos:
Consequências
para a sua saúde: A dependência da internet e de videojogos pode conduzir à
negligência dos cuidados de higiene pessoal, hábitos de sono pouco saudáveis,
alimentação desadequada que privilegie refeições rápidas e de simples
preparação e diminuição da prática de atividade física. Algumas das
consequências físicas podem incluir: cefaleias (dores de cabeça), dores nas
costas ou no pescoço, insónias e dificuldade em dormir, Síndrome do Túnel
Cárpico e/ou convulsões.
Consequências emocionais e psicológicas: humor
deprimido, baixa autoestima, ansiedade social, baixa tolerância à frustração,
raiva e sentimentos de culpa e vergonha por não conseguirem controlar os seus
comportamentos de dependência.
Consequências sociais: como passam muito
tempo online, despendem menos tempo interagindo com os outros, o que pode gerar
sentimentos de isolamento e de solidão, e a perda de amigos e relacionamentos.
Consequências académicas: decréscimo no seu desempenho académico
e nas suas notas escolares. Tal deve-se ao facto da realização dos TPC e de
estudar para os testes se tornarem cada vez menos importantes e prioritários.
Em adultos dependentes da internet e dos videojogos, os efeitos no desempenho
laboral são semelhantes.
Consequências Financeiras: em adolescentes e adultos que
despendem grandes quantidades de dinheiro em novos videojogos e upgrades
informáticos.
Consequências familiares: a dependência da internet e videojogos
conduz frequentemente à deterioração das relações familiares. Tensão e conflitos
entre os membros da família aumentam à medida que os pedidos para reduzir ou
eliminar o acesso à internet e aos videojogos são ignorados. As crianças e
jovens poderão negar que o problema existe, tentar esconder quanto tempo passam
online e acusar os pais de se estar a intrometer na sua vida. Os próprios pais
podem discordar em como lidar com o problema, o que pode conduzir a frequentes
discussões e conflitos.
Onde posso procurar ajuda?
Partilha esta tua preocupação com a tua Equipa de Saúde Familiar, eles vão
saber ajudar-te.
Na escola solicita ajuda do psicólogo!
Consulta a informação constante na internet no site: www.tu-alinhas.pt
Enfº Rui Branco (Enfermeiro Especialista em Saúde Mental e Psiquiátrica)
Webgrafia:
http://www.sicad.pt/pt/Paginas/default.aspx