São adequadas para fazer desporto e não se perdem atrás do olho,
no entanto não se devem usar durante noite...
O que deves saber sobre este objeto inventado no século XIX.
As lentes de contacto são lentes artificiais, finas
e arredondadas que se usam na superfície do olho para corrigir os defeitos da
visão como a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia. As lentes podem evitar o
uso dos óculos e dão uma visão mais próxima da realidade já que estão juntas
aos olhos.
A primeira lente de contacto foi desenvolvida por Adolf
Fick, oftalmologista alemão, em 1887, para a correção do astigmatismo.
Hoje, existem lentes de contacto de diferentes tipos de materiais.
Estima-se que em 2024 irão ser vendidos 1290 milhões
de pares de exemplares em todo o mundo. Mas ainda existem mitos que afastam as
pessoas deste pequeno objeto e há verdades sobre o seu uso que são imprescindíveis
conhecer.
As lentes de
contacto são difíceis de usar e exigem trabalho para as manter?
O oftalmologista deverá ensinar-te a
colocar e a retirar as lentes. Ao princípio pode ser complicado usá-las, mas a
experiência mostra que rapidamente te habituas a coloca-las nos olhos. Na
maioria das vezes um único produto serve para limpar e desinfetar as lentes
diariamente ou então, é possível optar por usar lentes diárias descartáveis.
As lentes de contacto devem ser usadas
por idosos?
Se por um lado a tecnologia das lentes de contacto
já permite a correção de visão para longe e para perto, o que é muito
importante para os idosos, no entanto existem doenças oftalmológicas nos idosos
que impossibilitam o seu uso.
É perigoso usar lentes de contacto à
noite, enquanto dorme?
A superfície externa do olho, que fica parcialmente
coberta pela lente de contacto, necessita de estar em contacto com o oxigénio.
Esta superfície, chamada córnea, retira o oxigénio da atmosfera. Com a lente colocada,
a córnea tem menos acesso ao oxigénio e pode, por isso, ficar mais vulnerável a
infeções. Assim, é recomendado retirar sempre as lentes à noite.
Além disso, dormir com as lentes também pode
aumentar a possibilidade de se desenvolver uma infeção se a lente retiver
resíduos ao longo do dia. Por isso, se acidentalmente te esqueceres de retirar
as lentes à noite, é necessário removê-las logo ao acordar e colocá-las na
solução de limpeza para retirar a sujidade acumulada e as bactérias.
As lentes podem perder-se atrás do olho?
Não. Há uma membrana fina que se chama conjuntiva, que
cobre a parte branca do globo ocular e que se liga ao interior das pálpebras, isso
impede que a lente de contacto se perca atrás do olho.
E
podem saltar dos olhos?
As antigas lentes de contacto podiam, de vez em
quando, saltar dos olhos quando se fazia desporto e outras atividades com mais
movimento. Mas as lentes recentes são fabricadas de uma forma que se adaptam
melhor aos olhos. Por isso, é muito raro que uma lente salte do olho.
As
lentes de contacto podem ficar encravadas no olho?
As lentes de contacto moles podem colar-se ao olho
quando secam. Mas basta aplicares o líquido das lentes de contacto ou soro
fisiológico estéril para ficarem reumidificadas e descolarem do olho.
As lentes podem entrar em contacto com a
água?
Não. As lentes não podem estar expostas a nenhum
tipo de água. Um género de amiba – um organismo microscópico unicelular –
chamado Acanthamoeba, que existe na água doce (nos lagos, nas piscinas, nas
saunas), pode ficar agarrado à lente e causar uma infeção no olho que pode levar
à cegueira.
Estas amibas alimentam-se de bactérias e podem sobreviver no olho de uma
pessoa. O indicado é retirar-se as lentes antes de se entrar em contacto com a
água. Se te esqueceres de retirar as lentes, deves fazê-lo logo de seguida e
colocar no líquido desinfetante das lentes para limpar qualquer resíduo que
tenha lá ficado.
Não se pode usar lentes quando se faz
desporto?
Não é verdade, aliás, os oftalmologistas defendem
que as lentes são a melhor opção para se ter uma visão corrigida enquanto se
faz desporto. As lentes podem melhorar a visão a longa distância e a visão
periférica.
Artigo realizado por Enf.ª Rosa Seabra, Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária